Tipinhos de facebook

Vivemos há um bom tempo com redes sociais. Passamos já por um amadurecimento de anos no orkut para depois uma migração à globalidade do facebook – apesar de eu me divertir muito mais brincando sozinho na Paulo Velho+. Hoje o orkut está tão abandonado que outro dia roubaram o relógio da minha foto de perfil.

Eu já discorri sobre as redes sociais antes, mas depois de um exaustivo novo estudo de campo, apontei os principais perfis típicos que podem ser encontrados hoje em dia. O estudo foi baseado no facebook, mas as massas são previsíveis e o mesmo comportamento pode se repetir em outras redes.

(Lembrando que é possível estar em mais de um grupo ao mesmo tempo. É comum encontrarmos filósofos-nutricionistas ou kibelocos-popular-abstratos.)

How can you talk if you haven't got a brain

“Some people without brains do an awful lot of talking”

O Partidário

As eleições estão chegando, e junto está chegando aquela hora de bloquear algumas pessoas de suas redes sociais – os que fazem parte deste grupo. O partidário é um militante virtual, é um Maluf online. Ele vai transformar o mural dele (e o twitter dele também) em uma ferramenta de campanha. Ele precisa do seu voto e vai repetir isso todos os dias – e como todo bom político ele prefere atacar a oposição ao invés de exaltar o seu candidato.
O partidário é tão desagradável que, só de falar dele, eu já fiquei mais chato.
Exemplos de conteúdo: Críticas políticas. Ou ele cita Reinaldo Azevedo e critica a Carta Capital ou cita Luis Nassif e ataca o Diogo Mainardi.
O que ele quer: Geralmente ele quer explodir o escritório da Veja.
O que ele parece: Chato.

O Filósofo

A vida é simples, bela e mágica para o filósofo. Visto como um apreciador de vinhos e queijos finos, um leitor de Tolstói, ouvinte de Édith Piaf… Pura pernosticidade: O filósofo é um fanático pelo e-mail corporativo que traduz o livro de citações que ele comprou na Amazon.
Exemplos de conteúdo: Citações, de Gandhi a Racionais MC (oi, tio!). Frases inspiradoras.
O que ele quer: Ele quer mesmo é escrever um livro de auto-ajuda.
O que ele parece: Pseudo-intelectual. Fracassado, se citar o Paulo Coelho. E chato.

O Fanático ateu-religioso

Eu ia separar o ateu do religioso, mas eles compartilham o mesmo tipo de chatice-fanática. Eu já critiquei o ateu social antes e, sinceramente, não tenho muitos amigos religiosos pra reclamar. Mas sei que eles existem.
Exemplos de conteúdo: Frases de ateus famosos, trechos da Bíblia, críticas ao Carnaval, ao comportamento amoroso humano ou ao Papa. Nunca tudo isso junto.
O que ele quer: Na verdade ele quer salvar sua alma ou parecer inteligentíssimo por não acreditar em Deus.
O que ele parece: Um testemunha de Jeová muito chato.

Jesus vs Batman

Jesus vs Batman

O Revolucionário

A revolução não será televisionada, mas certamente será compartilhada online – o revolucionário se encarregará disso. Ele nos faz sentir como se tivéssemos ido ao bar com o Datena.
Ele até quer ser uma pessoa boa: ele critica os problemas sociais, odeia o BBB, está preocupado com a situação no Pinheirinho, compartilha as fotos de pessoas desaparecidas – na esperança que alguém viu o sujeito na farmácia, quem sabe? (É impressão minha ou tem mais gente perdida ultimamente?). O Revolucionário acredita que nós já fomos mais inteligentes.
Esta categoria também inclui os ativistas ecológicos, que compartilham fotos de cachorrinhos maltratados e/ou abandonados.
Exemplos de conteúdo: Pessoas desaparecidas, críticas políticas, imagens com notícias de alguém que bateu em um filhote de panda ou qualquer coisa parecida.
O que ele quer: Mudar o mundo, salvar o Brasil; ser o percursor de uma revolução ou ser reconhecido como uma espécie de São Francisco dos nossos dias. Quer incitar as pessoas a sair nas ruas e protestar; quer mudar a política; quer que façamos algo pelas crianças morrendo de fome na África; quer combater as injustiças do mundo. E, principalmente: quer fazer isso sem sair de casa.
O que ele parece: Chato.

O Compartilhador compulsivo

A internet se tornou extremamente social – praticamente toda página que se preze hoje tem um botão para “compartilhar no facebook” (e um +1, só que ninguém usa o Google+). O compartilhador adora isso!
Ele se acha aquela pessoa antenada, que está sempre por dentro do assunto. Assim que ele vê qualquer coisa, ele não resiste ao ímpeto de espalhar. Sonha em ter um portal de notícias próprio, mas não percebe que a maioria das coisas que compartilha é tão desatualizada que está quase obsoleta.
Exemplos de conteúdo: Qualquer coisa na internet que tenha um botão “Share on facebook”. Trailers de filmes, dicas de saúde, tecnologia, notícias. Tudo acompanhado com um mini-comentário do tipo “parece interessante” ou “sempre bom saber!”.
O que ele quer: Mostrar que viu primeiro – ele imagina que todo mundo vai discutir “aquilo que leu no mural do [compartilhador]”.
O que ele parece: O Evaristo Costa. Só que mais chato.

É verdade, Sandra!

É verdade, Sandra!

O Kibeloco

Hoje em dia todo mundo acessa o 9gag, então você não precisa compartilhar tudo o que vê lá no seu facebook.
O kibeloco adora piadinhas baseadas em memes e faz uso de hashtags no facebook. Seus compartilhamentos vêm acompanhados de “#FATO”, “KKK” ou “#MORRI!”, mas infelizmente ele continua vivo.
Exemplos de conteúdo: Tudo o que é publicado no 9gag; Ou aquelas piadas escrotas do “Rir no facebook” ou qualquer porra parecida. Ele com certeza colocou uma piadinha “Como minha mãe me vê/Como eu realmente sou”.
O que ele quer parecer: Uma pessoa engraçada e descolada.
O que ele parece: Antonio Tabet. Ou seja: chato.

O Pseudo-humorista

O pseudo-humorista é aquele cara que se acha muito engraçadinho e transforma a vida dele em uma piada.
O “like” lhe subiu à cabeça. O facebook dele não é mais dele, é do seu ego. Ele não acha que tem amigos. Ele acha que tem fãs.
Exemplos de conteúdo: Comentários supostamente cômicos sobre qualquer coisa, principalmente sobre a vida dele. Ele não compartilha piadas alheias, porque é muito maior do que isso.
O que ele quer: “Hahaha! Esse [pseudo-humorista] é sensacional! É tão bom ser amigo dele.”
O que ele parece: Impertinente; Egocêntrico. E chato.

Vendo Mac book Pro

Ai, ai… como eu sou engraçado!

O Nutricionista

Publica check-ins de restaurantes renomados e fotos de suas refeições. É o único jeito que o pobre consegue ver comidas hedonistas, daqueles tipos que são decorados com uma folha de menta e que se baseiam em um minúsculo pedaço de algo no meio de um prato burlescamente enfeitado. Porque ninguém tira foto daquele churrasco grego, onde o tio pega o troco da mesma gaveta onde está o vinagrete.
Exemplos de conteúdo: Café da manhã, almoço e janta.
O que ele quer: Parecer alguém de extremo bom gosto culinário.
O que ele parece: Gordo.

O popular abstrato

O popular adora o facebook – ele leva a pergunta “O que você está pensando?” a sério. O popular também adora a vida dele e acredita que todos precisam saber o que ele está fazendo a toda hora. Ele avisa quando chove, reclama do trânsito e enche sua timeline de indiretas e letras de música. Ele odeia as segundas e ama as sextas, e PRECISA dizer isso pra você todas as semanas.
Ele adora escrever mensagens que só ele entende e busca incessantemente atenção – principalmente se for uma menina.
Se você não se viu em nenhuma outra categoria, você provavelmente é um popular.
Exemplos de conteúdo: “Vem ni mim, sexta, SUA LINDA”; “Findi perfeito”; “ÓDIO! =(“; “MUITO Feliz! XD”; Mensagens abstratas, que não acrescentam nada – ele só quer que você pergunte o que houve.
O que ele quer: Provavelmente só quer atenção. Normalmente ele consegue.
O que ele parece: Uma pessoa carente. Por vezes, uma pessoa chata.

Bad Boy

Você não precisa compartilhar tudo…

Compartilha aí.

  • Nathalia Mmachado

    eu sou a partidária e a popular abstrata… vc?? é chato, feio e sem escrúpulos… acontece!

  • Sergiobeltran

    É a falta que a gasolina faz por aqui em SAMPA, por causa do Kassab travar os caminhões de combustível.