O circo eleitoral

De quatro em quatro anos o país se mobiliza por uma causa única. As ruas são invadidas por manifestações populares, o povo se une para o importantíssimo evento que pode vir a mudar o futuro de uma nação: Copa do Mundo.

De dois em dois anos, porém, outro evento não tão relevante acontece no Brasil. As eleições surgem para inverter (ou não) as posições de situação e oposição no comando do país, das cidades ou estados. Não que vá fazer muita diferença: A política no Brasil está montada sobre alicereces de merda tão sólidos que não vejo forma de conseguirmos alterar ou até mesmo aliviar alguma coisa. Até mesmo porque não votamos mais em nossos candidatos. A imensa maioria dos votos são destinados a evitar que um outro candidato ganhe. Plenamente plausível: Não temos como escolher um bom candidato, então tentamos simplesmente eliminar aquele que julgamos pior.

Palhacildo

Que palhaçada...

Na verdade, as eleições no Brasil só tem dois problemas: Os candidatos e os eleitores. Por várias vezes me pego realmente surpreso em perceber que o eleitor brasileiro não aprende nada com seus erros. Famosos nomes envolvidos em esquemas de corrupção e roubalheira amplamente divulgados ainda conseguem, eleições após eleições, regressar tranqüilamente às suas posições de poder onde podem continuar as falcatruas a que estão (e estamos) acostumados. E o povo já se habituou com a idéia de que “é isso mesmo” e “não tem mais jeito”. Até mesmo porque a manutenção da má política no Brasil é sustentada pela maravilhosa idéia da democracia implantada na cabeça das pessoas: É um esquema genial, afinal, se tem um maldito no poder que consegue armar os esquemas que bem entende é porque VOCÊ votou nele e o SEU voto que colocou ele lá, então a culpa é SUA. É a transferência da culpa, é o fruto proibido que comemos e que nos torna obrigados a conviver com a situação. O problema é que só há frutos proibidos. O eleitor no Brasil é como um Adão faminto em um Jardim do Éden onde só existem frutos proibidos para comer.

Finda-se esta semana a primeira (e talvez única) fase da escolha presidencial brasileira. Talvez única, porque dia 02 de novembro é um feriado que pode ser prolongado caso não haja segundo turno. Assim sendo, se você quiser descer a serra daqui a um mês, talvez tenha que descer o Serra esta semana. Em breve também nos livraremos da dura obrigação de assistir o Horário Eleitoral Gratuito. Nada que nos anime, pois apenas trocaremos pela dura obrigação de assistir a programação da TV aberta brasileira. Não sei o que é mais chato.

Imparcial que não sou, a única certeza que eu tenho é que a candidata Dilma é a que eu acho mais fraca e despreparada para o poder. Provavelmente meu voto vai pra Marina Silva, e não só porque PV tem as mesmas iniciais de Paulo Velho. Minha vontade era de que o Serra fosse eleito e morresse durante o mandato para que o Índio da Costa assumisse. Duvido, porém, que alguém consiga bater a Dilma. Talvez o Netinho ou o Dado Dolabella, que já manjam da arte de bater em mulher.

Das eleições, entretanto, posso tirar duas certezas: Não irei gostar de quem quer que seja o vencedor e o PMDB apoiará o futuro presidente.

O que não presta sempre me agradou. A política é a única exceção: Nada presta e nada me agrada.