Paulo Velho vai ao médico

Eu não gosto de médicos. Nada particular contra a pessoa (ou a profissão) médica – exceto quanto à forma desleixada como eles cuidam de seus jalecos -, mas consultas médicas me dão preguiça: Senta na maca; tira a camisa; respira fundo; vou medir sua pressão; abre a boca; língua pra fora; é só uma virose.

Kermit's X Ray

Sente-se, Caco. O que eu vou lhe mostrar pode ser um choque.

Por isso que eu não costumo ir muito a médicos, apesar de mamãe insistir tanto. Acabo indo no médico só quando tenho algum ferimento grave ou uma febre brutal ou quando sou atacado por um urso ou quando meu coração me dá pontadas por mais de 3 meses sem razão aparente. Mesmo assim, essas poucas vezes que fui ao médico renderam alguma situações inusitadamente curiosas… Continuar lendo

Dr. Jekyll e seu jaleco

Só há duas classes de profissionais que fazem questão de sair na rua com a roupa de trabalho: os médicos e as putas. Veja bem… nada contra as putas. E que elas não se sintam ofendidas com tão sublime comparação. Não é nem culpa delas, coitadas: Sendo a rua seu ambiente de trabalho, elas não têm muitas alternativas. Mas os médicos… Qual a explicação plausível para que esses indivíduos saiam às ruas trajando seus jalecos?

Originalmente, as funções dos jalecos são higiênicas: Proteger tanto o médico quanto o paciente de bactérias. No caso do médico, protege das imundícies relativas às condições infecciosas de seus moribundos clientes; e, no caso do paciente, o protege de fatores externos ao hospital, como a sujeira que deve ficar incrustada no pobre doutor – proveniente da locomação do mesmo pela fétida cidade onde reside.

Quedê o Jaleco?

Merda! Meu jaleco se perdeu com a bagagem!

Tendo tais funções tão bem esclarecidas e definidas, fica a porra da pergunta: O que fazem esses imbecis praticantes da medicina trajando seus jalecos na rua? É provável que eles busquem status; talvez o orgulho da profissão seja um tanto maior que a inteligência. Não sou capaz de mensurar quanto status ou orgulho alguém pode ter enquanto come uma gordurosa coxinha de frango numa lanchonete trajando o mesmo jaleco usado em hospitais. O máximo que ele consegue é emporcalhar-se de tal forma que fica impossível diferenciar o que é ketchup, o que é sangue, o que é mostarda ou o que é pus.

Alguns até andam com o estetoscópio nos ombros. Sempre bom ter um à disposição, não? Dá pra ouvir mais fácil se o ônibus está chegando ou coisas do tipo. Será que se fossem borracheiros andariam com um pneu no pescoço também?

É bom que se ressalte que essa estupidez é proveniente somente a uma seleta parte dos executores da nobre arte da medicina. Ter uma classe inteira de dignos profissionais emputecida comigo também não é muito inteligente. Vai que um dia eu fico famoso… Não quero arriscar ir em um hospital e alguém mijar no meu soro.