Mohamed Aboutrika

Hoje, durante o jogo Egito x Bielorussia, pode ser a última chance de o povo mundial ver nestas olimpíadas um atleta notável, o grande nome do futebol masculino do ano.

Mohamed Aboutrika (perfil olímpico) é um meia egípcio com mestrado em filosofia. Entre passes acurados, reflexões marxistas, cruzamentos perfeitos (tanto de bolas quanto de vertentes filosofais), Aboutrika é um ídolo. Preocupado simultaneamente com questões humanitárias e com qual jogador está livre perto da grande área, o jogador se envolve em política e já se recusou a receber um salário maior do que um colega de equipe.

Aboutrika, meu amor! Aboutrika!

No último domingo, tive o prazer de ver em campo este fenômeno do futebol mundial. Apesar de nunca ter jogado na época da democracia corinthiana, Aboutrika apresenta grande empatia com Sócrates. Enquanto todos os jogadores querem ouro, Aboutrika quer Platão. Se arrisca a tomar cartão amarelo ao impôr questionamentos paradoxais marxistas a jogadores adversários e desafia o juiz quando este decide marcar uma infração por causa de um colega de equipe ter tocado acidentalmente com o braço na bola: “Futebol é um esporte que se joga com a alma, alma esta que une mão, corpo e pés num único invólucro mortal. Sendo assim, que diferenciação preconceituosa seria essa que pune uma extremidade do corpo e permite que a outra trabalhe livremente?”, proclamou, causando uma paralisante reflexão no estádio e um olhar perdido de um juiz confuso – não confundir com um juiz Confúcio, do futebol dos filósofos (no qual, certamente, Aboutrika teria espaço como principal jogador de qualquer um dos times)…

Ainda tentei puxar a torcida a adaptar a lindíssima canção de Beto Barbosa para “Aboutrika, meu amor, Aboutrika! Aboutrika, meu amor, a minha vida, ôi”, mas a torcida não pareceu se animar na idolatria. Em parte porque, como já disse Vanessa Barbara na coluna dela de 31 de julho na Folha de S. Paulo (http://www.hortifruti.org/2012/07/31/futebol-e-piada/, leiam!), o futebol nas Olimpíadas é incrivelmente chato. A verdade é que eu nunca gostei de assistir jogos da seleção e não consigo torcer direito por eles. O jogo Nova Zelândia x Egito foi então, o ponto alto do meu futebol no domingo, em parte pela onipresença e, porque não dizer, onisciência cultural do camisa cinco do time egípcio, aquele que carinhosamente me refiro como “Bubu”.

Sobre o jogo Brasil x Belarus: Estava tão chato que eu dormi. No estádio.