Primeiros dias de Lisboa

Eu cá procuro não falar da minha vida pessoal. Mas prometi que manteria a todos atualizados de minhas desventuras pelo velho continente, então contos de uma perturbada vida minha européia deverão aparecer aqui com mais freqüência. Azar de vocês (ou não).

Torre de Belém

Lisboa é bonita pra cacete

Tempos de hostel…

Cheguei em Lisboa no dia 10 de fevereiro. Fiquei em um hostel aconchegante próximo da região de Marquês de Pombal. A dona do hostel era uma senhora extremamente simpática que antes trabalhava como enfermeira: Dona Odete, que sabia que eu não tinha dinheiro então toda noite dividia a sopa dela como jantar para mim. O quarto dividido com outras 10 pessoas custava €15 por noite. Porém, sendo baixa temporada, durante muitas noites fiquei dividindo-o somente com um francês. Era um lugar ideal para descansar: TV, uma salinha confortável, cozinha arrumadinha…

Mas controlar dinheiro é uma merda. Especialmente se você o tem em mãos e vê todo dia ele esvaindo-se como tequila em uma festa de despedida. Então comecei a desconfiar que €15 por noite era uma quantia muito alta e fui atrás de outro hostel mais em conta. O hostelworld me recomendou dois hostels a €9 por noite em quarto coletivo. O primeiro para onde me mudei era ali perto e era bem ruim. Além de não ter uma sala de convivência decente, tinha quartos frios e não era um lugar divertido.

Praça dos Restauradores

Restauradores - Vista do hostel

Fui atrás então do outro hostel de €9, que ficava em um prédio na Praça dos Restauradores – extremamente bem localizado. Fiquei o resto dos meus dias de hostel (que não foram muitos) nesse lugar que tinha uma decoração divertida, um bar a preços acessíveis, uma staff bacana e hóspedes dispostos a encher a cara.

Na minha época de hostel eu transformei o breakfast (aqui chamado de pequeno-almoço) em minha principal refeição do dia, por um motivo muito simples: Estava incluso no preço dos hostels. Então todos os dias eu fazia questão de acordar o mais cedo possível para poder desfrutar de uma refeição decente, nem que fosse envolvendo somente pão, queijo, manteiga, café, panquecas e sucos diversos. Eu cheguei a ficar 40 minutos na cozinha tomando calmamente meu café da manhã, vendo os outros hóspedes chegarem, sentarem, comerem, levantarem e saírem enquanto eu desfrutava de outro pão com fiambre e suco de laranja. Depois de me encher no desjejum, geralmente só tinha mais uma refeição decente no dia (quando a tinha). Apesar de ter perdido a sopa da Odete quando deixei o hostel dela, não acho que saí perdendo: Uma noite gastei €1,65 em compras no mercado e foi o suficiente para um jantar e um almoço no dia seguinte. Mas mesmo recentemente, já morando em meu atual apartamento, recebi um convite dela para ir jantar lá um excepcional Bacalhau com Broa. Pobre que sou, evidentemente aceitei (e estava realmente ótimo).

Morando…

No hostel de Dona Odete, conversei com ela que estava procurando um apartamento para alugar ou dividir o aluguel ali por Lisboa. Ela me recomendou que conversasse então com uma outra hóspede – uma grega que estava chegando também em Lisboa, mas para estudar. Essa menina me passou três sites de busca de quartos na cidade – geralmente para estudantes de intercâmbio.

O primeiro quarto que eu fui ver custava €325/mês + divisão de água, luz, gás e internet e ficava em frente a uma estação de Metro, bem próximo ao rio Tejo. Eu iria dividir o apartamento com 3 gregos, mas o prédio também era habitado por uma boa quantidade de brasileiros – que a croata que limpa os quartos e estava me mostrando o lugar fez questão de me apresentar. Ainda vi mais uns dois ou três quartos, com valores equivalentes, uns melhores e pior localizados, outros piores e mais próximos do centro, até que fui ver um quarto em um apartamento onde morava um francês: Hugo.

Hugo usou de uma tática desleal para me fazer gostar do lugar: me ofereceu comida – me convidou para ir lá jantar e conhecer o resto dos habitantes do apartamento naquela noite. O valor proposto foi bem mais acessível – €190, com contas inclusas (água, luz, gás e internet). O quarto é extremamente simples (não tem nem janela), e é tão pequeno que para ter uma ereção eu tenho que abrir a porta. Mas é confortável, há uma mesa aonde eu posso trabalhar e um minúsculo armário aonde eu posso deixar minhas coisas. É um armário de duas portas mas que somente uma pode ser aberta, já que a outra, está obstruída pela mesa (mesmo assim ainda dá pra usar praticamente o espaço total). Dividem o apartamento, além de Hugo: Sophie, uma alemã; Roxxane, uma polonesa (ou polaca como cá dizem); Giulia, uma italiana (que nasceu exatamente no mesmo dia que eu – e mesmo ano) e Julien, outro francês.

Meu quarto

O que meu quarto tem de grande eu tenho de experiência em fazer fotos panorâmicas no Photoshop.

Eu não morei numa república na minha época de Universidade, mas é bem divertido atualmente. A casa não está sempre cheia, mas constantemente eu me deparo com pessoas estranhas por aqui: um casal francês dormindo na sala, uma loira preparando o café da manhã quando eu acordo, uma brasileira saindo do banho, um italiano limpando o banheiro, uma espanhola fumando na varanda. E eu não tenho a menor idéia da origem da maioria das pessoas que simplesmente surgem aqui em casa. Na verdade, elas também não parecem ter muita idéia de como vieram parar aqui.

Cotidiano…

Ladeiras de Lisboa

Lisboa é cheia de altos e baixos. E ladeiras ligando eles.

Lisboa é muito mais montanhosa que São Paulo. Assim, todo aquele treino e toda aquela caminhada em minha trilha para Machu Picchu estão se mostrando deveras úteis para andar por aqui.

Estou ouvindo mais música brasileira agora do que jamais ouvi em outra oportunidade em minha vida. A cultura brasileira (sim, nós temos uma!) é bem forte por aqui. Mas ao menos é boa música brasileira: Nossa MPB de Tim Maia ou Chico Buarque… Nada de sertanejo universitário por enquanto.

Ainda assim, é divertidíssimo o convívio com tantas culturas diferentes. Lisboa está cheia de estrangeiros, seja estudando, trabalhando ou fazendo turismo. Só na minha casa são 5 nacionalidades (ou 6 se você considerar que eu também sou português) tentando se comunicar em 7 línguas diferentes (ou 8 se você quiser diferenciar o português do Brasil do português de Portugal – pois devia). Quase uma reunião da ONU.

Não tive até agora problemas com a alimentação também. Sempre vivi em casa portuguesa, então bacalhoada, chouriço e alheira já faziam parte do cardápio. Sempre com muito azeite – barato por aqui e disponibilizado em garrafas de 3 litros. Como pobre que sou/estou, geralmente compro comida no mercado e preparo aqui em casa – sai consideravelmente mais barato. Tal como bebida. A garrafa de 51 custa em torno de €12. Em compensação, um vinho bom custa em torno de €1,99.

Visão de casa

Vista da varanda aqui de casa

Continuei por um bom tempo indo no hostel da Praça Restauradores porque tinha amigos lá, porque a staff é divertida e porque as bebidas são a preços acessíveis. Lá eu começava a beber e conversar com os hóspedes e depois íamos a algum barzinho (geralmente no Bairro Alto) ou a alguma festa em alguma casa que alguém ouviu que ia ter. Quando saio com meus roommates também sempre acabo indo numa dessas misteriosas festas de estudantes estrangeiros vivendo por aqui.

As festas costumam ser na casa (ou república, chame como quiser) de algum estudante que eu desconheço. Nunca sei direito como eu chego lá, às vezes é acompanhando um amigo, outras vezes é acompanhando alguém que eu acabei de conhecer e que perco quando chego na casa de outro alguém que eu não conheço. Mas são sempre divertidas. Elas terminam quando acaba a bebida ou quando a polícia chega: o que vier primeiro. Já ouvi falar de casos em que um morador extremamente paciente e persuasivo conseguiu expulsar todo mundo da própria casa, mas vendo as dimensões dos eventos etílicos, isso me parece uma utopia. Depois de findada a festa, diversos pequenos grupos se dividem e vão cada qual a um bar/balada/boteco/outra casa de outro alguém continuar assim até sabe-se lá quando (sinceramente, nunca consegui encontrar um fim nesses eventos).

Até agora…

Seja visitando castelos, seja vendendo o almoço para comprar a janta, seja ensinando uma sueca a dançar rockabilly (meninas do The Clock: vocês humilham essas loiras de olhos azuis), seja enfrentando uma tempestade de roupa social em busca de emprego… estou me divertindo bastante e tendo uma experiência sensacional. Apesar da saudade do pessoal do Brasil!

Pavão em Lisboa

O que diabos tá fazendo um pavão no meio da cidade?

  • Andrey

    Sabe o que é ficar 5 minutos tentando escrever qualquer coisa decente pra vc/seu post? Bom… Esse é o resultado… Só te digo uma coisa: Vc sempre tem o que merece!

    • A dica é escrever sem tentar. É o que eu faço.

  • eu não preciso de muitas milhas… A Naty tem só alguns poucos centímetros e já me basta, SUA LINDA!

  • Juliana

    O pavão está aí para você lembrar das peacocks. =D

    • Pois falhou. Não tem como lembrar de algo que eu não consigo esquecer…
      SUAS LINDAS!

  • Meu amor, simplesmente adorei! Escreva sempre que possível..muito bom ler seus posts…

    Uma pena q não tenho culhões pra fazer o mesmo (O Bonifácio tb não!)
    Bjinhos, saudades… ainda vou pra Zuropa esse ano te ver…vai vendo!

    • Venha! Venha!!! A gente combina uma viagem supimpa! SUA LINDA!

      • eu vou mesmo… to falando sério!!! aqui na Unilever é bem de boa esses esquemas de folga! vou pegar uma semana q tenha um feriadaço e tirar uns dias… mais pro final do ano… ;)

  • Igor

    Caramba, saudades de vc MEU LINDO!!!

    Mto legal esta expericiencia. Nao sei se me dá medo ou mais vontade de me ir.

    Grande abraco e estamos aqui e voce ai, por tanto nao peca coisas impossiveis, e não é assim que funciona, nao estamos aqui para o que der e vier.

    • Meu próximo texto vai te animar… Disso eu tenho certeza!
      hahaha

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