A incrível geração de mulheres que fica discutindo sobre a incrível geração de mulheres

A geração incrível

A geração incrível

Vivian tem 34 anos. Está solteira ainda e sabe muito bem o porquê: é essa geração de homens que está completamente errada. A culpa não pode ser dela, que é uma mulher independente, tem um emprego de garbo na redação de um jornal daqueles que é distribuído de graça nos semáforos (e o povo resolve as palavras cruzadas e forra o chão do carro com seus artigos). Ela é uma mulher perfeita, que vai em passeata pelo futuro do país e se indigna justamente com todos os problemas sociais. A única coisa que Vivian não sabe é cuidar da casa. Ela pede pizza duas vezes por semana e tem uma empregada diarista que cuida dos afazeres dela. E é justamente por isso que os homens não a querem: Os homens procuram alguém que continue sendo a mãe deles, que lhes costurem as cuecas e façam massagem nas costas.

A culpa é dessa geração de homens, despreparada para um universo feminino tão evoluído.

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Elaine tem 28. Já morou na Europa e fez intercâmbio nos Estados Unidos na época do colégio. Recentemente virou noiva de um empresário bem sucedido, e é bem óbvio o porquê: é uma mulher independente, trabalhando como vendedora de jóias em shopping da periferia da cidade. O noivo de Elaine cozinha sua janta quase todas as noites, com a pompa de um Alex Atala e o destrambelhamento de uma Palmirinha Onofre. É justamente por isso que ela está noiva: Ela é independente e não tem preconceito com essa nova geração de homens que não se importa em assumir papéis domésticos vez ou outra.

Feliz da vida, ela finge que ignora essa geração de mulheres, chatas pra cacete.

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Juliana tem 28, mas aparência de 23 e piadas de 12. Ela anda numa turma de praticamente só homens e uma vez quebrou o nariz de um amigo, num soco mais exaltado ao ver um fusca azul. Ela ri alegremente quando faz aquela piada de precisar levar um pássaro para a praia e chama um amigo pra ir viajar com o tucano atrás. Ela faz macarrão com salsicha em reuniões em casa e toma Coca-Cola pelo nariz. Joga RPG, Team Fortress 2 e torce pro Figueirense. Aprendeu a costurar com a mãe, pra ajudá-la em encomendas quando era mais nova. É solteira por opção, mas já saiu com metade dos meninos da academia. Dança salsa e uma vez ficou tão bêbada que acordou em um barco a caminho de Ilha Bela, junto com um pescador e um furão.

Ela compartilhou o texto da geração de meninas que está mais preparada do que devia e uma semana depois compartilhou também o da geração de meninas que é extremamente chata por compartilhar o texto da geração de meninas anterior e depois compartilhou outro texto sobre como as meninas são chatas por compartilhar texto sobre a geração de meninas, mas esse ela não leu – foi só por causa do título e porque tinha uma foto muito engraçada daquele clipe do Queen “I want to break free”.

A Juliana não é muito inteligente mesmo, coitada. Mas é uma boa pessoa.

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Bruno tem 43 anos. Trabalha com TI e mora com os pais. Saiu recentemente de um relacionamento de 4 anos porque a namorada virou socialista e o trocou por um cara que compartilhava os textos do Sakamoto. Ele chama a mãe para abrir os potes de palmito, chama o pai quando precisa fixar na parede seu novo rack de videogame e pede ajuda pros amigos pra ver se consegue o telefone daquela menina que ele viu vendendo jóias no shopping lá perto de casa.

Bruno não tá nem aí se as mulheres fazem parte da geração independente ou se elas cresceram para serem donas de casa. Ele só queria uma companhia feminina para poder ir no cinema assistir “A culpa é das estrelas” sem parecer um homossexual frustrado.

Mas Bruno acredita que, se ele está solteiro, a culpa é dele. Boa, Bruno.

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Cláudia tem 24 anos. Tem um alto cargo em uma agência de publicidade. Faz arroz, suco de frutas e caipirinha. Costura as próprias saias porque a faz lembrar das tardes que passava costurando com a vó. Ela sai de noite em barzinhos da Vila Madalena, mas nunca volta bêbada dirigindo (o próprio carro, aliás).

Ana tem 27 anos. Não trabalha e mora com os pais. Não sabe cozinhar nem um miojo. Fica maravilhada cada vez que põem a roupa suja em um cesto no banheiro e ela reaparece magicamente limpa no armário de volta. Ela sai de noite pra pegar meninos na Vila Olímpia e privilegia aqueles que moram perto dela pra ver se descola ainda uma carona.

Cláudia e Ana estão cagando para essa nova incrível geração de mulheres e usam o Facebook para stalkear os amigos ou pra compartilhar fotos na praia.

De todas as meninas, Cláudia e Ana são as mais legais. (Mentira, a Juliana também é legal!)