Ei, Inception! Eu também tenho sonhos recursivos!

Demorei mais do que a maioria da população nerd comum, mas fui assistir “Inception” – aqui no Brasil, com o sabe-se-lá-o-porquê nome de “A Origem”.

O filme é genial. Se não é revolucionário em suas cenas ou sequer em seu enredo, pelo menos expõem tudo de uma forma que nunca tinha sido feito antes. Vai assistir. Agora!

Inception Comixed

Inception Comixed

Sobre os sonhos

Eu sempre gostei de meus sonhos. Minha mente realmente funciona de alguma forma bizarra, pois diversas vezes eu já acordei rindo de alguma piada sensacional que acabei me contando durante o sonho. Já acordei 3 ou 4 vezes na mesma noite rindo de algum sonho espetacularmente engraçado. Às vezes, quando acordo no meio da noite depois de uma piada sensacional, anoto-a para depois ela virar um tweet ou qualquer coisa que o valha. O problema é que a maioria das piadas são infinitamente mais engraçadas no meu sonho do que quando eu as leio algumas horas depois.

Uma das coisas retratadas no filme são sonhos em camadas. Sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos… e por aí vai. Mas a verdade é que isso já aconteceu comigo… E, devo dizer, acontece com certa freqüência. Acho que o máximo que eu já alcancei foi o terceiro nível.

Lembro nitidamente de uma vez que sonhei que estava no trabalho: às vezes isso acontece: eu durmo enquanto trabalho e trabalho enquanto durmo. Mas o que aconteceu foi que eu sonhei que estava no trabalho e durmia enquanto trabalhava. E dentro do meu sonho eu estava dormindo e tendo outro sonho. Só que o meu sonho da segunda camada tinha um narrador. Por exemplo, quando eu entrava na cozinha, eu ouvia uma voz em meu sonho dizendo “…então eu entrei na cozinha…”. E por aí o sonho foi seguindo, até o momento que eu chego num corredor e percebo que a voz é minha e eu estou narrando os acontecimentos do meu próprio sonho para o Vinícius, um amigo. Depois de uma breve pausa, Vinícius pergunta “E aí? o que aconteceu?” e eu me vejo respondendo “Não sei. Eu ainda estou sonhando!”. Caímos no chão de rir. E nesse momento eu acordei. Só que eu acordei no outro sonho, onde eu estava preocupadíssimo que alguém na empresa tivesse percebido que eu estava dormindo.

Já tive alguns sonhos lúcidos também, onde eu percebia que estava sonhando e fazia alguma coisa conscientemente sonhadora. Recentemente, num dos últimos sonhos, quase fiquei louco tentando chegar à Irlanda. Fui parar numa rodovia toda esburacada. Falei pra mim mesmo “Aqui não é a Irlanda”… Andei até chegar à chácara de um tio, onde, apesar de bem recebido por toda família, fiquei bem revoltado porque ainda não era a Irlanda.

Em outro, quando percebi que estava sonhando, lembrei do sensacional Douglas Adams, que dizia que para voar era só cair e errar o chão. Como estava na varanda de um prédio com uma garota X, sugeri a ela que tentássemos. Após uma vertiginosa queda, ela se esborrachou no chão enquanto eu saí voando. Parece que eu sabia que estava sonhando mais do que ela.

Outra coisa que o filme coloca é que é fácil perceber que se está sonhando: Basta perceber que você chegou numa situação e não tem idéia de como. Se isso fosse verdade, toda manhã que eu acordasse depois de uma festa open-bar eu teria que acreditar que estava sonhando.

Every Damn Morning!

Every Damn Morning!

Enfim, gosto bastante de sonhar. A maioria das garotas não foge desesperadamente de mim em meus sonhos e eu sempre acabo conhecendo lugares diferentes, como o parque do Beto Carreiro ou o centro da Terra.

E, caso não tenha ficado claro, vá assitir Inception. Eu prometo que os sonhos do filme são melhores que os meus.

  • O Barba

    Quem diabos é Vinícius?