Mais Cersei, Menos Charlotte

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WILLIAM

O príncipe andava de um lado para o outro, inquieto. O fogo crepitava na ampla sala de música de Buckingham, apesar da primavera já presentear a capital do Império Britânico com temperaturas mais quentes e agradáveis. Os três homens na sala estavam em um silêncio tão pesado que era possível ouvir os bêbados de Leicester cantando do lado de fora do palácio. O piso madeirado rangia em determinado ponto, mas era um barulho menos irritante do que as botas reais do príncipe martelando continuamente ao andar pelo longo cômodo. No centro da sala, um tapete persa vermelho e azul abafava seus passos. Vermelho e azul também era a vestimenta do príncipe, de veludo indiano, lhe caindo perfeitamente sobre o peito ferido das batalhas da década passada.

– Acalme-se, William – disse Charles, sentado calmamente numa das poltronas do outro lado da sala, ao lado do piano, bebericando uma pequena taça de brandy.

– Eu estou calmo, pai! – respondeu William, claramente irritado.

O duque de York estava sentado ao lado de Charles. Ele se levantou e serviu duas taças de brandy, deixando uma na mesa e levando outra até o nervoso príncipe:

– Tome um brandy, vai lhe fazer bem – ofereceu Andrew.

– Não quero beber nada! – disse o príncipe, atirando a taça do outro lado da sala. Continuar lendo

Pequeno dicionário do manifestante moderno – versão gourmet

i am so angry

Em julho de 2013, num arroubo de cidadania e amor à pátria, este humilde blog fez um serviço a toda a população brasileira e ofereceu, sem custos adicionais, um útil dicionário ao manifestante moderno.

Quase dois anos depois, visando colaborar com essa nova onda de protestos que está sendo orquestrada pela Rede Globo (eu li isso num blog esquerdista – ver parte 1 deste dicionário), nós oferecemos um complemento para que você, meu caro alienado político, possa ser massa de manobra bem informada.

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A incrível geração de mulheres que fica discutindo sobre a incrível geração de mulheres

A geração incrível

A geração incrível

Vivian tem 34 anos. Está solteira ainda e sabe muito bem o porquê: é essa geração de homens que está completamente errada. A culpa não pode ser dela, que é uma mulher independente, tem um emprego de garbo na redação de um jornal daqueles que é distribuído de graça nos semáforos (e o povo resolve as palavras cruzadas e forra o chão do carro com seus artigos). Ela é uma mulher perfeita, que vai em passeata pelo futuro do país e se indigna justamente com todos os problemas sociais. A única coisa que Vivian não sabe é cuidar da casa. Ela pede pizza duas vezes por semana e tem uma empregada diarista que cuida dos afazeres dela. E é justamente por isso que os homens não a querem: Os homens procuram alguém que continue sendo a mãe deles, que lhes costurem as cuecas e façam massagem nas costas.

A culpa é dessa geração de homens, despreparada para um universo feminino tão evoluído. Continuar lendo

Pé na Cova

Na tradição mexicana, 02 de novembro é o dia dos mortos, onde os falecidos são celebrados e até festejados. É uma festa um pouco mais alegre que o dia de finados por aqui, que só é comemorado porque ninguém trabalha.

Minha foice. Gosto de deixá-la perto de onde ficava meu coração.

Minha foice. Gosto de deixá-la perto de onde ficava meu coração.

Dia 02 de novembro porém também é um dia de festa para o Bolão Pé na Cova, o futuro grande sucesso da Paulo Velho empreendimentos (que é tipo uma Walt Disney só de bobagens).

O Bolão ganhou fama na época que o site Cocadaboa ainda trollava a internet alegremente por aí. Infelizmente, o bolão foi sendo abandonado até que caiu no ostracismo – http://www.cocadaboa.com/bolao/ – Basicamente, a idéia é enviar uma lista com 15 nomes de celebridades que você acredita que passarão desta para uma melhor no ano e conforme os obituários forem sendo abastecidos, os participantes vão ganhando pontos. Para a brincadeira ficar mais legal ainda, quanto mais jovem a pessoa apostada, mais pontos ela rende (confira o regulamento completo).

Sempre fui fã da brincadeira. Assim, em 2012, convidei amigos mais próximos para brincar também. Vários amigos mandaram listas, de forma que a organização do Bolão se tornou algo meio complexo. Para a edição de 2013, então adaptei um sistema em wordpress para tornar essa manutenção mais fácil e intuitiva. E o Bolão cresceu mais… Continuar lendo

Quebrando mau

Um senhor de cuecas segurando uma arma no meio do deserto. É com essa inóspita cena que inicia-se Breaking Bad, a coisa mais legal que a TV produziu em toda a sua existência.

Desde a segunda temporada da série que eu faço parte deste crescente grupo de chatos que ficam recomendando incessantemente para os amigos e desconhecidos no meio da rua para que assistam essa obra, mais viciante que a metanfetamina com 99,1% de pureza que é feita pelo químico protagonista Walter White, um professor que descobre que tem um câncer e se transforma num produtor de drogas para conseguir dinheiro para o tratamento e para deixar para sua família após morrer (e se prepara que daqui pra frente é só spoilers até o final).

we_have_to_cook

“We have to cook!”

O roteiro é o primeiro e maior acerto da série. Apesar da segunda temporada um pouco mais fraca (na minha modesta opinião), a história sempre caminhou maravilhosamente, de forma que a vilanização do protagonista é tão gradual e bem feita que chegamos ao final da série com uma extrema empatia por este homem calculista, manipulador e frio. Mr. White é um anti-herói. Suas ações são todas justificáveis, porém a maioria delas é extremamente condenável.  Continuar lendo

Cinco idéias para o transporte público em São Paulo

Alguma iniciativa brotada sabe-se lá onde e difundida pelas redes sociais nas últimas semanas tenta espalhar na cabeça da população a suposta boa idéia que é ter o metrô de São Paulo funcionando 24 horas por dia.

O sistema de transporte público na cidade é fraco, deficiente, caro, lento e inefetivo. A malha metroviária é pequena, apesar do serviço ser muito bom. Ninguém discute que, para o sistema se tornar medíocre, muita coisa precisa melhorar.

Mas metrôs abertos 24 horas por dia não são uma solução e nem uma alternativa viável. É uma idéia utópica e impossível na atual situação.

Durante um projeto, já tive que passar boa parte de uma madrugada na estação Santa Cecília, linha vermelha. O trabalho não termina quando as portas da estação se fecham – muito pelo contrário. Uma legião de funcionários invade as estações para o trabalho de limpeza e manutenção das linhas. Um trem especial, chamado “esmerilhador” transita pelas linhas em baixa velocidade com a intenção de corrigir e prevenir deformidades na via. É um serviço de manutenção lento e necessário. (link: http://www.metro.sp.gov.br/tecnologia/manutencao/logistica.aspx)

Trem esmerilhador

Trem esmerilhador

Há um segundo aspecto: é REALMENTE necessário? Qual o índice de uso da linha verde numa terça-feira às 3h da manhã? Esse serviço extra geraria um custo que teria que ser repassado à população de alguma forma. Continuar lendo

Viagem levando a patroa

– Porque a maioria de nós não conseguirá apreciar o texto
“Viagem levando babás” em todo o seu esplendor e utilidade.
Lembre-se que você está lá para entreter o filho mimado da patroa!

Lembre-se que você está lá para entreter o filho mimado da patroa!

Ao contrário da maioria dos maridos, nós, babás, não somos totalmente dependente das patroas. A minha irmã sempre viajou sem a patroa, até mesmo porque ficava complicado confiar aquela Louis Vitton ao sistema de bagagem da Viação Cometa.

Na minha opinião, viajar com a patroa é extremamente útil, principalmente pela mamata de ganhar passagens e usar toalhas novas de hotéis todos os dias. Se bem ensinadas, dá pra manter uma boa patroa até o filho completar uns 15 anos e começar a tomar bomba e sair com os amigos para a Vila Olímpia, época em que a mãe vai perceber que fez um péssimo trabalho educacional e demitir a babá.

Baseada na minha pequena experiência de algumas viagens com patroas, pensei em escrever este post, porque minhas amigas do salão de cabeleireiro do Doni, onde a gente se encontra todo sábado de tarde pra jogar conversa fora e assistir o Huck, sempre me perguntam como fazer, como proceder, o que pode, o que não pode, se pode comer aquela folha de hortelã que vem junto com o petit gateau e etc… Continuar lendo

A cabeçada

Em frente ao Centro Pompidou, em Paris, reside a nova obra do escultor francês Adel Abdessemed. O prédio do museu já tem uma estrutura peculiar, com canos e tubulações expostas. O interior contém obras de grandes artistas do último século, de Picasso a Dali, passando por Matisse e pelas obras provavelmente feitas por crianças cegas paraplégicas de cinco anos e assinadas pelo Miró.

Do lado da fora, agora reside uma estátua de bronze de quase cinco metros de altura que retrata o exato momento em que o ídolo francês Zinedine Zidane cabeceou o italiano Marco Materazzi, no final da Copa do Mundo de 2006.

Mais do que uma obra de arte. A estátua é uma grande homenagem ao futebol. Um retrato eterno do maior momento de um jogador e, mais do que isso, do maior momento de um homem. É um grito de uma geração. É um ode a tudo que há de bom no esporte. É um aviso aos italianos. É uma reavivação da lembrança de cada homem. Onde você estava quando o Senna morreu? E quando o Zidane cabeceou o Materazzi? Era uma época mais inocente, onde gifs animados surpreendentemente bem feitos faziam as vezes de memes da época e não eram desleixadamente compartilhados pelas nossas tias.

Zidane Gif

E a Torre Eiffel deixará de ser o monumento mais belo e popular de Paris.

5 lugares para a Nana Gouvêa fazer o próximo ensaio fotográfico

Nana Gouvêa foi assunto da internet esta semana por ter feito um ensaio fotográfico vestida. As fotos são chocantes para nós, que não estamos acostumados a vê-la com roupa.

O furacão que atingiu New York esta semana alavancou a carreira internacional de Sandy e abasteceu a internet com todo tipo de piada previsível. Então, obrigado, Nana! Por essa ninguém previa.

Imaginando, porém, os próximos passos da modelo, aqui vão os cinco melhores lugares para a Nana Gouvêa fazer seu próximo ensaio fotográfico:

Protestos da Grécia

Nana Gouvêa na Grécia

Nana Gouvêa nos protestos da Grécia

“Muito bonito ver o povo todo unido nas ruas. É por causa da vitória nas Olimpíadas, né?”, disse a modelo. Continuar lendo

O triste fim de uma piada

Na noite de ontem, o mundo acompanhou atônito a morte de uma piada. A relação do Corinthians com a Libertadores vinha divertindo gerações há anos e, apesar de já estar perdendo sua força por conta da repetição, ela nunca chegou a perder a graça, todos os anos conseguindo se renovar um pouco, com a ajuda de times colombianos e chorosos torcedores.

Funeral de piada

Boas piadas também morrem.

O desespero é grande no mundo do humor. A construção da arena do Corinthians já vinha sendo motivo de preocupação. Com estádio e Libertadores, as jocosas referências dos outros times vão ter que focar em alguma outra coisa que os corinthianos não tenham, tais como: ficha limpa na justiça, ensino médio, dentes ou pai.

“Acredito que vamos ter que nos reciclar agora. Se o Niemeyer morrer e a Preta Gil emagrecer, vou ter que jogar fora tudo o que eu construí durante toda minha carreira”, declarou um humorista de twitter que preferiu permanecer anônimo.

A adaptação é rápida, entretanto. Após ganhar uma Libertadores, por exemplo, um corintiano não desliga mais seu PlayStation, só retorna de seu indulto.

Apesar das recentes dificuldades que o esporte vêm apresentando ao mundo do humor, a classe não tem medo da escassez de anedotas. “Ainda temos a política”, disse um desconhecido humorista de qualidade questionável, “A política nunca falha em nos revoltar e prover-nos de conteúdo para piadas.”

Haters gonna hate

Use nos comentários toda a sua falta de habilidade em interpretação de texto.