Austrália wildlife

Por ficar completamente isolado do resto do mundo, a Oceania contém animais únicos. E a Austrália sabe como explorar turisticamente essa vida selvagem. Até o brasão australiano contém um canguru e um emu – provavelmente o macho da ema.

Brasão Australiano

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Animal estúpido (o da direita)

Em Melbourne, fiz um tour para Phillip Island que previa uma visita a uma reserva de vida selvagem australiana – apesar de que o Crocodilo Dundee eu fui encontrar só em Gold Coast. Lá eu tive a oportunidade de ver emus. A estupidez do animal é admirável, talvez só semelhante com a estupidez humana. Na foto ao lado o fanfarrão guia imita uma cabeça de emu com as mãos. O animal é burro o bastante pra ficar seguindo, pois ele pensa que é outro emu.

Nessa mesma reserva eu fui alimentar os cangurus. Infelizmente, os animais estavam em algum lugar mais distante da reserva e só haviam wallabys. Muitos wallabys. Sempre andavam saltitando, como baianos em carnaval. Eles são da mesma família que os cangurus, porém menores. Eles deviam saber que eu era brasileiro, pois mantiveram a bolsa sempre junto ao corpo.

Mas isso não quer dizer que eu não tenha visto cangurus. Não os vi de perto, mas vi várias vezes alguns na estrada. Certa vez vi um canguru tão fresco, mas tão fresco, que a bolsa dele era uma Louis Vitton.

A Austrália tem canguru pra caralho. Há quase 2 cangurus para cada pessoa. Cerca de uns 40 milhões, pelo que andaram contando. Poderiam obter um número mais exato, mas os animais não paravam de pular. Por isso, a caça aos cangurus é permitida e, por vezes, incentivada! As estradas são repletas daqueles famosos avisos e mais para o interior da Austrália é normal encontrar cangurus atropelados no caminho.

Dizem por aí que o nome “canguru” surgiu da época do capitão Cook mesmo. Assim que ele aportou em terras australianas, logo se deparou com um desses. Com todo aquele inglês rebuscado foi chegar lá pra um aborígene e perguntou: “Hey! What the hell is that animal?” ao que o aborígene respondeu “Kangaroo!”. Mais tarde, ficou-se sabendo que “Kangaroo!” em aborigenês significa “Não entendi porra nenhuma!”.

Os animais, em ambiente selvagem são agressivos se acharem que você está invadindo o espaço deles ou cobiçando alguma de suas dezenas de namoradas-canguru. Mas com certeza cangurus não são sua maior preocupação na vida selvagem australiana.

Monty - era o nome da cobra (por causa do Monty Python)

Eu e a cobra

Cobras, por exemplo. A Austrália é repleta de cobras. Não se sabe qual é a cobra mais venenosa do mundo, mas com certeza ela vem da Austrália. Uma das apostas é a Fiercy Snake, que consegue matar até 100 humanos com uma só mordida. Cinco mordidas conseguem matar o mesmo que o Rambo em 4 filmes. Porém, é mais provável que a Taipan do interior (Oxyuranus microlepidotus) seja a cobra mais venenosa do mundo. Mais encontrada no lado oriental é capaz de matar um homem em 30 segundos!  Sua sogra não parece mais tão venenosa agora.

A cobra ao lado é Monty, que tem esse nome em homenagem ao grupo de humor inglês. Logo de cara, saquei que eu tinha em comum com a “Monty Python” o gosto por trocadilhos infames.

As aranhas também são outra atração australiana. Não me deparei com muita delas, mas, quando perguntado, um guia recomendou que não nos preocupássemos com as aranhas grandes, uma vez que as aranhas pequenas é que eram o problema. Fica meio difícil quando você vê que algumas aranhas por lá comem até pássaros.

The black snail

Barrichello negro

Até os caracóis são carnívoros. No dia que fui para Great Ocean Road, fizemos uma caminhada numa área florestal onde o guia nos alertou para que ficássemos atentos para ver se encontrávamos o raríssimo Black Snail, que é carnívoro, mas só se alimenta de animais mortos. Sem sal. Um francês meio convencido encontrou um.

Ainda no quesito “animais que podem te matar com mais eficiência que a Suzanne Richtoffen”, os milhares de quilômetros de praias que a Austrália possui disponibilizam uma quantidade de animais assassinos invejável às torcidas organizadas brasileiras. Diversas praias continham placas alertando os surfistas para a presença de tubarões, águas-vivas venenosíssimas e outros animais. Até polvos são venenosos na Austrália, como o polvo de anéis azuis.

Penguin Parade

Eles estão em todos os lugares!

Se o  mar da Austrália já é perigoso para humanos, imagina para os pobres pingüins que lá habitam. Em Phillip Island tive a oportunidade de acompanhar a famosíssima marcha dos pingüins, quando, ao pôr do Sol, os pobres animais saem do oceano de volta a seus ninhos em terra. Na entrada da praia havia uma placa dizendo que a parada começaria às 20:03. E é exatamente às 20:03 que o primeiro pingüin sai da água. A pontualidade deles é invejável até mesmo para uma companhia aérea britânica. É triste ver os pobres diabos se matando para sair da água e, quando estão quase conseguindo, são puxados novamente de volta para o fundo por uma onda… Tipo o time da portuguesa.

dispensa legendas

Um silver gull, como diz a placa...

Não é só de pingüins que Phillip Island está cheio. Seagulls, as nossas conhecidas gaivotas, são tantas quanto camelôs na 25 de março e fazem tanto barulho quanto – ou mais. Esses pássaros realmente dominam uma região de Phillip Island chamada “The Nobbies”.

Por falar em animais voadores dominando os céus australianos, outros que merecem destaque são morcegos. Já em Gold Coast eu havia visto muitos morcegos, inclusive alguns vivendo na área da piscina do hostel onde estava hospedado. Mas foi no jardim botânico de Sydney que eu mais vi morcegos. Eles dominavam a copa de algumas árvores. E para quem tem medo de morcego, a realidade é que ele não ataca durante o vôo. O grande problema dos morcegos é que eles precisam sair de um lugar mais alto para voar. Assim, eles pegam velocidade na queda e saem por aí voando (sim, tipo o Batman mesmo). O problema é quando eles não conseguem voar e se estrebucham no chão. Aí eles precisam escalar de novo para algum lugar mais alto para poder alçar vôo. E, ao contrário do Batman que tem um bumerangue, eles usam suas garras para escalar postes, árvores, hidrantes e qualquer coisa alta.

muitos morcegos

Santa árvore carregada, Batman!

Vamos aos fatos: Morcegos são cegos. Qualquer coisa mais alta que eles é considerada apta para escalada. E é nessa merda toda aí que eles acabam atacando as pessoas: na tentativa de escalá-las.

Se você enconstar no morcego, já é um bom motivo para ser mandado para um hospital e ficar algumas semanas em observação.

Outro animal que você não pode encostar, senão pode acabar sendo atendido pelo Dr. House são os coalas. O único estado australiano que eu passei que era permitido tocar em coalas era em Queensland. E eu só consegui ver coalas em duas oportunidades no estado de Victoria (onde fica Melbourne). Tanto lá quanto no estado de New South Wales (onde fica Sydney) também é proibido até mesmo encostar em um coala. Aí eles são intocáveis. Tipo o Sarney.

Que animal mais fofo! (e ainda tem um coala do lado!)

Que animal mais fofo! E tem um coala do lado!

Os coalas dormem 20 horas por dia e passam as outras 4 horas se alimentando. É como eu imagino que esteja vivendo o Nicolau dos Santos Neto hoje em dia. Os coalas filhotes são tão preguiçosos que nem isso fazem: Eles se alimentam das fezes da própria mãe. Por isso pense duas vezes antes de dizer que a comida da sua mãe é uma merda.

A Austrália é repleta de criaturas únicas. Além dessas, pude ainda ver Dingos, que são uma espécie de lobos, mas que atacam criancinhas; demônios da Tasmânia, que possuem a mordida mais forte proporcional ao seu tamanho dentre todos os mamíferos. Não é que a Warner estava certa?

Eu adoraria ter visto Ornitorrincos – por lá chamados de Platypus. São animais realmente curiosos, além de serem os únicos mamíferos a pôr ovos. Contou o guia que quando os primeiros ingleses descobridores da Austrália levaram um esqueleto de platypus de volta à terra da rainha, os cientistas duvidaram que tal animal existia. Em compensação, na época da Segunda grande guerra, Winston Churchill pediu um ornitorrinco para se divertir. A quatro dias do final da viagem do animal, o ornitorrinco faleceu. Foi posteriormente empalhado e deixado como enfeite da mesa do primeiro ministro inglês.

Acho que o tamanho do texto retrata a dimensão e variedade da vida selvagem australiana. Não só isso, mas a Austrália realmente sabe explorar essa diversidade e usar sua fauna para o turismo. E esse é apenas um dos pontos que precisamos aprender com eles.

Mais fotos: http://picasaweb.google.com/paulovelho